Rio Branco decreta estado de alerta para enfrentamento da estiagem
Órgãos públicos planejam medidas para reduzir impactos da seca no Acre A Prefeitura de Rio Branco decretou estado de alerta para enfrentamento da estiagem em...
Órgãos públicos planejam medidas para reduzir impactos da seca no Acre A Prefeitura de Rio Branco decretou estado de alerta para enfrentamento da estiagem em todo o município. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (28) e é assinada pelo prefeito Alysson Bestene. Segundo a medida, o objetivo é preparar a estrutura administrativa para enfrentar um possível agravamento da seca e reduzir os impactos à população. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Conforme o decreto, a decisão leva em consideração o monitoramento realizado pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil, que aponta redução gradual dos níveis do Rio Acre, de seus afluentes e de outros mananciais utilizados para o abastecimento humano, dessedentação animal e atividades produtivas. Nesta terça (28), o manancial marcou 2,12 metros. O documento também destaca que comunidades rurais já enfrentam diminuição da disponibilidade de água, com riscos ao abastecimento, à agricultura familiar e à pecuária, além do aumento da suscetibilidade a queimadas urbanas e rurais. Entre as medidas previstas, o estado de alerta busca intensificar o monitoramento hidrológico, meteorológico e ambiental, fortalecer a preparação operacional dos órgãos municipais, ampliar a articulação entre as secretarias e promover ações voltadas à segurança hídrica, prevenção de queimadas e redução dos impactos sociais, econômicos e ambientais provocados pela estiagem. LEIA MAIS: Com mais de mil milímetros, acumulado de chuva aumentou 18% no 1º semestre do ano em Rio Branco Acre teve média de 3 meses sob calor extremo em 2024, revela levantamento; confira lista Área queimada no Acre tem 4ª maior queda do país em relação à média histórica Rio Acre, em Rio Branco Amanda Oliveira/ Rede Amazônica Acre O decreto estabelece ainda que a Defesa Civil Municipal ficará responsável por acompanhar permanentemente as condições hidrológicas e meteorológicas, elaborar boletins técnicos, atualizar o cadastro de comunidades vulneráveis e coordenar o planejamento das ações de resposta caso o cenário se agrave. "A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil apresentará relatórios técnicos periódicos ao Gabinete do Prefeito contendo a evolução da estiagem, os impactos observados e, quando necessário, recomendará a revisão, manutenção ou revogação do Estado de Alerta para Enfrentamento da Estiagem, bem como a adoção de medidas administrativas adicionais", complementou. As secretarias municipais também deverão atuar de forma integrada, priorizando medidas relacionadas ao abastecimento de água para populações vulneráveis. A publicação autoriza ainda a adoção de providências administrativas, como a mobilização de equipamentos e insumos, preparação de operações de abastecimento emergencial de água potável e reforço das ações de combate aos incêndios em vegetação. Apesar das medidas, o decreto ressalta que o estado de alerta tem caráter exclusivamente preventivo e de preparação administrativa. Isso significa que, neste momento, não há reconhecimento oficial de desastre nem declaração de situação de emergência. "O Estado de Alerta para Enfrentamento da Estiagem poderá ser revogado a qualquer tempo, antes do término do prazo de vigência previsto no artigo anterior, mediante ato do Chefe do Poder Executivo Municipal, quando houver alteração das condições hidrológicas ou quando a evolução do cenário recomendar a adoção de medidas administrativas mais adequadas", reforçou. Rio Acre marcou 2,12 metros nesta terça-feira (28), em Rio Branco Defesa Civil de Rio Branco Chuvas em Rio Branco A ausência prolongada de chuvas na capital já preocupa a Defesa Civil Municipal. O órgão alerta para o agravamento do cenário nas próximas semanas, com a intensificação do período seco e a previsão de influência do fenômeno El Niño. Conforme o órgão, a última chuva registrada na capital acreana ocorreu em 25 de julho, quando foram contabilizados 8,4 milímetros de precipitação. Foram quase 40 dias sem precipitação. Ao g1, o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que o Rio Acre ainda apresenta uma cota mais confortável porque o primeiro semestre foi marcado por um volume de chuva superior ao registrado em 2025. No entanto, esse cenário já começa a mudar. "O rio está com uma cota melhor do que estava no ano passado justamente porque tivemos muita chuva no primeiro semestre. Mas a ausência de chuva já é sentida. Estamos nos aproximando de 40 dias sem registro de precipitação e a tendência para os próximos dias é piorar, agravando ainda mais a situação", afirmou. Segundo o coordenador, Rio Branco ainda registra um dos maiores níveis entre as principais bacias monitoradas no estado. Mesmo assim, a seca já provoca impactos que vão além da redução do volume dos rios. "A gente vê toda a situação de seca e a crise hídrica se instalando tanto na zona urbana, com dificuldades de abastecimento, quanto na zona rural, onde a navegabilidade fica comprometida e até a água para consumo começa a ficar mais escassa", acrescentou. Operação Estiagem Diante do avanço da seca, a Defesa Civil informou também que a Operação Estiagem já começou, inicialmente com apoio do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), responsável pelo abastecimento emergencial de comunidades afetadas pela falta de água. Segundo Falcão, a expectativa é que a Defesa Civil passe a atuar com caminhões próprios nos próximos dias, após o alinhamento das ações com a prefeitura. "Ela já está em curso, mas ainda não estamos fazendo com os caminhões da Defesa Civil. O abastecimento começou de forma emergencial pelo Saerb. A expectativa é que, na próxima semana, a gente passe a atuar também com nossos próprios caminhões", explicou. Além do fornecimento de água, o coordenador destacou que o planejamento envolve o atendimento às comunidades rurais mais afetadas, onde a estiagem também compromete a produção agrícola e reduz a renda das famílias. 🌡️☀️ Calor e El Niño preocupam especialistas O cenário também preocupa pesquisadores. A previsão de formação do fenômeno El Niño nos próximos meses aumenta a possibilidade de temperaturas mais elevadas e de uma seca mais intensa no Acre. O pesquisador Foster Brown explica que a combinação entre calor e redução das chuvas favorece incêndios florestais, piora a qualidade do ar e amplia os impactos sobre a saúde da população e dos ecossistemas. "Nunca se repete exatamente, mas segue mais ou menos o que aconteceu em 2023 e 2024. Estamos entrando em uma fase em que a influência do El Niño tende a crescer. Com isso, a expectativa é de prolongamento da estação seca", afirmou. Segundo a Defesa Civil, alguns sinais típicos desse cenário já são observados, como a ausência prolongada de chuva, as ondas de calor, a redução do nível dos rios e igarapés e a diminuição da capacidade de reservação de açudes e represas. Tempo seco e temperaturas elevadas predominam em Rio Branco após mais de um mês sem chuva Yuri Marcel/g1 Medidas preventivas Diante das previsões, os órgãos públicos reforçam o planejamento para minimizar os impactos da estiagem. Conforme a Defesa Civil, um parecer técnico já foi encaminhado ao gabinete do prefeito solicitando a decretação de situação de alerta. O órgão também monitora comunidades rurais onde a crise hídrica começa a se intensificar e prepara um levantamento das perdas na produção agrícola e pecuária. Além disso, o Ministério Público do Acre (MP-AC) orientou que órgãos estaduais e municipais antecipem medidas preventivas, incluindo os sistemas de monitoramento e as ações voltadas às populações mais vulneráveis. Além disso, a recomendação é que a população mantenha a hidratação, evite exposição ao sol nos horários mais quentes do dia e redobre os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. VÍDEOS: g1