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Irã diz que não cobrará taxa para navios no Estreito de Ormuz por 60 dias

Navios no Estreito de Ormuz em 18 de junho de 2026. Reuters/Stringer Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou, nesta sexta-feira (19), que o pa�...

Irã diz que não cobrará taxa para navios no Estreito de Ormuz por 60 dias
Irã diz que não cobrará taxa para navios no Estreito de Ormuz por 60 dias (Foto: Reprodução)

Navios no Estreito de Ormuz em 18 de junho de 2026. Reuters/Stringer Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou, nesta sexta-feira (19), que o país não cobrará taxas para navios atravessaram o Estreito de Ormuz durante 60 dias, prazo estipulado para conclusão das negociações com os EUA. Segundo o órgão, o governo da República Islâmica do Irã vai "arcar com esses custos". A informação foi vinculada pela agência iraniana Irna. Para fazer a passagem segura pelo canal, o Conselho diz que os detalhes operacionais e técnicos, assim como a rota e horário, serão divulgadas pela Autoridade das Vias Navegáveis ​​do Golfo Pérsico. O cumprimento das recomendações de passagem está atrelado ao aumento gradual do tráfego, acrescentou o órgão. Anteriormente nesta semana o país afirmou que cobraria taxas, contrariando a afirmação do presidente dos EUA, Donald Trump. A passagem livre e sem cobrança de taxas está prevista no acordo de cessar-fogo assinado na quarta-feira (17). Leia os principais pontos do acordo abaixo. Apesar do aparente avanço da implementação do cessar-fogo, as negociações que estavam previstas para esta sexta-feira (19) entre os Estados Unidos e o Irã na Suína, não acontecerão, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores suíço. Pentágono teria comunicado que precisa de US$ 80 bilhões para cobrir custos da guerra contra o Irã, diz jornal O anúncio veio depois que um porta-voz da Casa Branca disse, durante a noite de quinta (18), que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, havia desistido de uma viagem planejada para se encontrar com negociadores iranianos na Suíça. Outro empecilho para a plena aplicação do acordo é Israel, que segue realizando ataques no sul do Líbano. Pontos principais do acordo Após a assinatura de um acordo inicial pelos presidentes de EUA e Irã, as duas partes têm um prazo de 60 dias para discutir as questões ainda em aberto para encerrar de forma definitiva a guerra. EUA e Irã assinam oficialmente o acordo de trégua A tarefa não é simples, porém. As duas partes parecem inflexíveis em algumas das questões cuja resolução foi adiada, como o acordo nuclear e a solução para o front no Líbano, ocupado militarmente por Israel. ➡️O documento tem 14 pontos e foi divulgado pelos EUA. O "memorando de entendimento" inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o país e uma compensação financeira ao governo iraniano. O texto estabelece um prazo de 60 dias em regime de cessar-fogo para a discussão dos detalhes do acordo final — se as partes não chegarem a um acordo, o prazo se estende por mais 60 dias. Veja os pontos mais delicados ainda em discussão: Líbano Estima-se que 50 mil casas foram danificadas ou destruídas no Líbano durante a guerra REUTERS Uma das condições que o Irã colocou para assinar o acordo inicial foi a de um cessar-fogo pleno, que incluísse também o Líbano. Forças de Israel, aliado dos EUA, atacam o Líbano desde março, sob a justificativa de combater o Hezbollah, grupo extremista aliado do regime de Teerã. Em sua campanha, porém, Israel é acusado de alavejar civis, incluindo jornalistas e paramédicos, protegidos pelo direito internacional em zonas de conflito, além de destruir intencionalmente infra-estrutura civil, como reservatórios de água e pontes. Mais de 1 milhão de libaneses deixaram suas casas, provocando uma crise de deslocados internos no país. Israel não assinou o acordo de paz e disse que vai manter suas tropas estacionadas indefinidamente numa zona de cerca de 10 km ao sul do território do país vizinho. Na quinta-feira (18), o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, criticou o que chamou de "pânico estranho" e "chilique" de Israel ao acordo firmado entre Washington e Teerã. A troca de farpas indica uma relação estremecida entre os governos dos dois países, tradicionalmente aliados. Não se sabe se os EUA vão conseguir frear o ímpeto de Israel em atacar alvos libaneses, inclusive na capital, Beirute, nem como o Irã vai reagir, se a situação se deteriorar. Estreito de Ormuz Um dos poucos consensos já pacificados entre EUA e Irã é a abertura do Estreito de Ormuz para a passagem de navios. O local é um importante ponto de escoamento de petróleo e gás para o comércio internacional, e seu fechamento por um período prolongado poderia gerar um efeito-cascata em produtos no mundo inteiro. Essa abertura passa a valer imediatamente a assinatura do documento, com Teerã se comprometendo a restabelecer plenamente o tráfego em 30 dias. Isso porque o local ainda está repleto de minas navais colocadas durante o conflito. O acordo desta semana tambem garante passagem gratuita de navios comerciais pelo estreito, mas só por 60 dias. Ao longo da guerra, o Irã, que administra a passagem juntamente com Omã, disse que passaria a cobrar um pedágio de todos os navios petroleiros que cruzassem o estreito para a reconstrução de sua infra-estrutura devido aos danos provocados pelos ataques de EUA e Israel. Os EUA, por sua vez, defendem manter o fluxo por Ormuz gratuito. O tema será tratado como uma queda de braço na mesa de negociação. Programa nuclear iraniano Talvez o tema mais delicado ainda em aberto, o Irã só aceita abrir mão de seu programa nuclear — o qual Teerã afirma ter fins pacíficos — com garantias sólidas de segurança e o fim das sanções comerciais que castigam sua economia há décadas. Nos próximos 60 dias, os negociadores deverão discutir qual o patamar de enriquecimento de urânio ao qual o país terá direito e como se dará a retirada do material nuclear que o Irã já tem em estoque. Atualmente, estima-se que as reservas de urânio do Irã estejam na casa de 11 toneladas, dos quais 441 kg estão enriquecidos a 60% (mais do que o necessário para fins energéticos ou de pesquisa, mas menos do que é preciso para se fabricar uma bomba). No memorando, o Irã reafirma que não vai adquirir nem desenvolver armas nucleares, enquanto os EUA concordam em resolver a questão do estoque de urânio enriquecido iraniano por meio de um mecanismo a ser definido de comum acordo. Os negociadores dos EUA tentarão os acordo mais rigoroso do que o assinado pelo Irã com o governo Obama em 2015, criticado por Trump e do qual o republicano se retirou unilateralmente poucos anos depois. A tarefa não é fácil, porém, já que analistas apontam que os iranianos saem da guerra com mais poder de barganha ao mostrar que o regime dos aiatolás é mais resistente do que se pensava e que Teerã é capaz de manter os Estreito de Ormuz fechado mesmo sob intensa pressão militar.

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