RN reconhece ação de Paulo Freire como patrimônio cultural imaterial Experiência pedagógica ficou conhecida como “40 Horas de Angicos”
Edição: Ana Lúcia Caldas / Rafael Guimarães
Uma ação educativa realizada no interior do Nordeste pelo professor e pesquisador Paulo Freire nos anos 1960 agora é Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte. O título para a iniciativa, conhecida como “40 Horas de Angicos”, foi concedido esta semana pelo governo do estado.
A experiência pedagógica, desenvolvida por Paulo Freire na cidade potiguar de Angicos, impactou e mudou a maneira de lecionar. O modelo de ensino foi, inclusive, levado e aplicado fora do país. Na época, Angicos tinha cerca de 9,5 mil habitantes.
Alfabetização de adultos
O processo formativo de alfabetização de adultos de Freire ganhou projeção nacional ao propor um modelo de lecionar baseado nas vivências, nos conhecimentos e na realidade social dos alunos. O projeto utilizava palavras presentes no cotidiano dos estudantes como ponto de partida para o aprendizado da leitura e da escrita, aproximando o processo de alfabetização da realidade social e profissional dos participantes.
A experiência, realizada a convite da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Norte, teve início em 28 de janeiro de 1963 e foi concluída em 2 de abril daquele ano. A meta era alfabetizar adultos em 40 horas de atividades – daí o projeto ter ficado conhecido como “40 Horas de Angicos”. A primeira turma reuniu 380 participantes, dos quais aproximadamente 300 concluíram o curso.
A ideia era ampliar a iniciativa para outras regiões do estado, contribuindo com o enfrentamento dos elevados índices de analfabetismo da época. O projeto, porém, foi interrompido pelo golpe militar de 1964. Paulo Freire foi preso e, posteriormente, exilado, enquanto iniciativas de educação popular passaram a enfrentar restrições durante a ditadura.
A titulação como patrimônio do projeto busca agora contribuir com a valorização, o significado histórico, cultural e educacional da iniciativa e assegurar a preservação do legado pedagógico de Paulo Freire para futuras gerações.
O reconhecimento não é só para a iniciativa em si. Ele abrange as memórias, os relatos orais, os saberes e as práticas pedagógicas associados às pessoas e comunidades que participaram do projeto. Entre os objetivos estão incentivar pesquisas, divulgar referências históricas e culturais e fortalecer a transmissão desse patrimônio imaterial.
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