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Operação da PF revela que internet rende 40% da arrecadação do tráfico no Complexo da Penha

REDE NEWS

Operação da PF revela que internet rende 40% da arrecadação do tráfico no Complexo da Penha
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A Polícia Federal deflagrou a Operação Backbone e cumpriu ao menos 20 mandados de prisão contra investigados por envolvimento em um esquema de fornecimento de internet controlado pelo Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro. A investigação revelou que a receita com o serviço chegou a representar mais de 40% da arrecadação da facção em um único mês no Complexo da Penha, um de seus principais territórios. Entre os detidos estão o vereador Fábio Silva (Podemos), preso no Paraná, e dois familiares diretos de Marcinho VP, apontado como um dos principais chefes do CV. O esquema funciona pela imposição de um monopólio: provedores não autorizados têm cabos cortados e equipamentos destruídos.

Operação Backbone: PF mira monopólio de internet do tráfico

A Operação Backbone da Polícia Federal expôs uma dimensão do crime organizado que vai além do tráfico de drogas: o controle lucrativo de um serviço essencial de telecomunicações. Segundo as investigações, o Comando Vermelho estruturou um esquema de fornecimento de internet que chegou a responder por mais de 40% da arrecadação da facção em um único mês no Complexo da Penha, um de seus principais redutos no Rio de Janeiro.

O modelo funciona como um monopólio imposto pela força. Apenas provedores autorizados pelo tráfico podem operar nos territórios controlados pelo CV, e essa autorização tem preço: uma “tarifa” mensal paga à facção. Quem tenta competir fora dessas regras enfrenta consequências imediatas. Cabos de rede são cortados e caixas de distribuição, incendiadas. A investigação aponta ainda que o esquema se estende pelos complexos do Alemão e do Chapadão e alcança outras áreas do estado. O que está em jogo não é apenas dinheiro, mas controle territorial exercido sobre um serviço do qual milhares de moradores dependem cotidianamente.

De acordo com comunicado oficial da Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores relacionados a 40 pessoas físicas e 42 empresas investigadas. A operação também determinou a suspensão das atividades de empresas apontadas como integrantes da estrutura financeira do esquema.

As prisões e a infiltração política

Entre os alvos presos na operação estão Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Marcinho VP e mãe do rapper Oruam, e Lucas Santos Nepomuceno, filho do casal e irmão do artista. Os dois já haviam sido alvos de uma operação da Polícia Civil em abril, por suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro do CV. Márcia nega ter vínculos com as empresas investigadas.

O nome que mais chama atenção no campo político é o do vereador Fábio da Silva Costa, conhecido como Fábio Silva, do Podemos, detido em Londrina, no Paraná. A investigação o aponta como dono e beneficiário de provedores de internet ligados ao esquema. Em seu primeiro mandato na Câmara Municipal do Rio, Silva se apresenta no site oficial da Casa como empresário e gestor comunitário da Zona Norte, com atuação destacada como embaixador do projeto Onda Carioca, no Complexo do Chapadão.

À Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 1.618.612, composto por participações societárias, dinheiro em espécie, crédito da venda de cotas de empresa, uma joia e um objeto de arte recebido de herança. Em nota divulgada à imprensa, o vereador negou as acusações e qualquer ligação com práticas ilícitas. Sua defesa afirmou que ainda não havia tido acesso aos autos do processo.

A prisão de Silva ocorre em meio a uma sequência de investigações sobre a atuação do crime organizado em estruturas políticas e empresariais do Rio de Janeiro. Desde setembro do ano passado, a Polícia Federal prendeu deputados estaduais fluminenses em investigações distintas, incluindo suspeitas de ligação com o CV e fraudes em contratos na área da Educação. Também foi preso o deputado estadual eleito Márcio Canella, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro. As acusações são contestadas pelas respectivas defesas.

A Revista Fórum já mostrou como a Operação Anomalia revelou suspeitas de envolvimento de policiais militares em um esquema ligado ao Comando Vermelho, expondo outra frente das investigações sobre a presença da facção em estruturas de poder no estado.

O esquema de monopólio e lavagem de dinheiro

Marcinho VP está preso há quase três décadas e hoje cumpre pena em penitenciária federal. Ainda assim, segundo a investigação da PF, ele continua a controlar atividades empresariais exploradas nos territórios dominados pelo CV. O dinheiro gerado por esse controle chegava à sua família por caminhos deliberadamente opacos: empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, de acordo com as apurações.

Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, é apontado como peça central nesse fluxo financeiro. Segundo as investigações, ele seria responsável por administrar recursos e lavar o dinheiro do grupo. Márcia, por sua vez, já havia sido identificada em investigações anteriores como possível elo entre traficantes presos e integrantes da facção em liberdade.

Em abril, mãe e filho foram alvos de uma operação da Polícia Civil por suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro do CV. Márcia nega vínculos com as empresas investigadas.

A investigação identificou ainda suspeitas de utilização de produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis adquiridos com dinheiro em espécie e criptoativos para dissimular a origem dos recursos. Segundo a PF, essas operações permitiam que parte dos lucros obtidos com a exploração ilegal da internet chegasse aos familiares de lideranças da facção.

Além dos bloqueios patrimoniais, a Polícia Federal informou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será acionada para cassar as autorizações e interditar serviços prestados pelas empresas investigadas. O órgão também deverá adotar providências para assegurar a continuidade do acesso à internet dos moradores das comunidades afetadas.

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