Erika Hilton desmente nova fake news da extrema-direita
RedeSat
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) desmentiu neste domingo uma nova fake news impulsionada pela extrema-direita, segundo a qual o presidente Lula teria se referido a ela no masculino durante um evento no Rio de Janeiro. Em um tweet contundente, ela afirmou que sequer participou da atividade e denunciou a tentativa de transformar um trecho descontextualizado em pretexto para uma nova onda de ataques transfóbicos.
“Não, o presidente Lula não me chamou de ‘ele’ durante um evento no Rio de Janeiro. Porque eu literalmente não estava nesse evento”, escreveu Erika. Ela explicou que, há dias, está no interior de São Paulo e que Lula, na verdade, conversava com uma pessoa na plateia. “Eu não sou a única mulher chamada Erika do mundo”, completou.
Erika também denunciou o caráter estruturalmente preconceituoso da campanha. “Pois é inaceitável, pra eles, uma mulher, travesti, não apenas ousar existir como ser uma política que produz mais e é mais útil à sociedade brasileira do que todos os ídolos bolsonaristas somados”, disse. Em outro trecho, ela ironizou os parâmetros morais do bolsonarismo ao lembrar que, para se destacar em relação a certas lideranças, bastaria não cometer crimes. “Qualquer político que não roubar, atropelar ou matar ninguém já se torna melhor do que as grandes lideranças bolsonaristas”, escreveu.
A deputada apontou ainda que a narrativa foi construída em grupo, com base em suposições e preconceitos, e que a simples citação do nome “Erika” teria sido suficiente para alimentar a mentira. “Eles viram Lula falar com alguma Erika e concluíram que só podia ser eu. Aí viram Lula falar ‘ele’, e foi o suficiente pra começar a nova onda de ataques”, relatou.
Para ela, o aspecto mais grave do episódio é que a manipulação desvia o foco do conteúdo central do discurso de Lula, que tratava de um tema sensível e urgente. Erika destacou que o presidente fazia um alerta “duro, e importantíssimo” sobre o risco de inteligências artificiais serem usadas para produzir pornografia sem consentimento e até pornografia infantil.
“Pros bolsonaristas, isso não parece ser um problema”, denunciou. “Pra eles problema é gente trans existir”, concluiu.
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