'Se mostrou bastante interessado', diz veterinária sobre primeiro encontro do Cavalo Caramelo com égua escolhida para reprodução
Cavalo Caramelo e a pretendente "Hora Extra" Reprodução; Bruno Todeschini/ Grupo RBS 🐴 O primeiro contato entre o cavalo Caramelo e a égua Hora Extra foi consid...
Cavalo Caramelo e a pretendente "Hora Extra"
Reprodução; Bruno Todeschini/ Grupo RBS
🐴 O primeiro contato entre o cavalo Caramelo e a égua Hora Extra foi considerado positivo pela equipe do Hospital Veterinário da Ulbra, em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Caramelo ficou ilhado por quatro dias no telhado de uma casa em Canoas, durante as enchentes no Rio Grande do Sul há dois anos. Relembre abaixo.
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De acordo com a médica veterinária e diretora da unidade, Laura Cezimbra, o animal demonstrou curiosidade e interesse pela nova companheira. O objetivo é participar de um projeto de reprodução.
"O Caramelo se demonstrou bastante interessado, relinchando, a gente vê que ele tem interesse", explica a diretora.
Hora Extra foi levada ao campus da universidade na quarta-feira (9), após um deslocamento de cerca de uma hora desde uma propriedade rural em São Sebastião do Caí. Apesar de dividirem áreas próximas, os animais ainda não foram colocados juntos.
Neste primeiro momento, a adaptação ocorre com ambos em piquetes vizinhos, permitindo que se enxerguem e permaneçam perto um do outro.
Conforme Laura, a reação observada em Caramelo representa um indicativo animador para o projeto, já que a capacidade reprodutiva do cavalo nunca havia sido avaliada anteriormente.
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A Hora Extra
Égua "Hora Extra", no espaço do Hospital Veterinário da Ulbra, em Canoas
Bruno Todeschini/ Grupo RBS
Descrita como dócil e tranquila, a égua crioula Hora Extra tem seis anos e cerca de 350 quilos. Apesar de ter desembarcado em boas condições de saúde, deverá receber alimentação complementar nos próximos dias.
Como vivia solta no campo, está mais magra e com bastante pelagem. A ideia é melhorar suas condições físicas para uma eventual gestação.
"Chegou super bem, está ótima de saúde. Agora ela está no piquete, solta a campo", diz Cezimbra. "Vamos observar a égua nos primeiros dias e fazer os exames médicos", explica.
No encontro com Caramelo, Hora Extra permaneceu calma durante a chegada e agora passa os primeiros dias de adaptação no espaço ao lado dele.
"Ela também é super receptiva, bem mansa mesmo", comenta.
Sobre o nome "Hora Extra", a equipe não sabe ao certo a origem. A informação veio dos antigos proprietários, que já a chamavam assim.
A escolha da égua levou em conta principalmente questões de bem-estar animal. A equipe da Ulbra recebeu contatos de outras propriedades interessadas, mas muitas ficavam distantes, o que exigiria viagens mais longas.
Por estar relativamente perto de Canoas, a égua de São Sebastião do Caí foi considerada a alternativa mais adequada para o transporte.
Projeto de reprodução
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A ideia de permitir que Caramelo tenha um filhote nasceu da relação criada entre o animal e o público que acompanha sua trajetória desde o resgate. De acordo com a veterinária, os seguidores costumam pedir novidades sobre a vida do cavalo e demonstram interesse em acompanhá-lo em novas fases.
Embora não possa conviver livremente em grupo por ser um garanhão — um cavalo macho não castrado —, ele mantém contato próximo com outros equinos que vivem no campus, incluindo fêmeas.
"Se viu que ele tinha bastante interesse, comportamento de garanhão. Em reuniões, inclusive comentando se castra ou não castra, o pessoal surgiu com a ideia de ter um filhote para de fato fazer a questão mais social do Caramelo com os seus seguidores", explica Cezimbra.
A diretora afirma que a iniciativa não tem relação com preservação genética. Segundo ela, o objetivo está ligado ao significado que Caramelo passou a representar para muitas pessoas após a enchente. Para a universidade, a história do animal desperta um forte vínculo afetivo e funciona como uma mensagem de resistência e superação.
"Existe uma questão afetiva muito grande envolvendo o Caramelo", comenta a veterinária.
Cavalo Caramelo agora está hospedado no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas
Bruna Linck/Ascom Ulbra
Conforme Cezimbra, Caramelo vive uma rotina considerada normal para um cavalo. Durante a noite, permanece em um espaço protegido e, ao longo do dia, fica solto em um piquete próprio.
Hoje, com cerca de 11 anos, Caramelo vive no campus da Ulbra, em Canoas. O cavalo ganhou recentemente um piquete exclusivo de 250 metros quadrados, onde passa boa parte do dia correndo, pastando e rolando na grama.
O espaço também facilitou a visitação do público e as atividades dos estudantes de Medicina Veterinária, que convivem com ele nas aulas práticas.
Relembre o resgate
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O resgate foi feito pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo — veterinários acompanharam toda a ação. Caramelo precisou ser sedado porque a equipe foi alertada que, para o bote não virar, o animal não poderia estar acordado durante o trajeto.
Seco, Caramelo, ainda dentro do bote, foi colocado em cima de uma carreta e, em seguida, levado ao hospital veterinário, onde recebeu medicação para repor a quantidade de líquido perdida nas horas em que ficou ilhado.
A mobilização da população e das forças de segurança comoveu o país e sintetizou a relação histórica do cavalo com o povo gaúcho. O cavalo crioulo é animal-símbolo do RS e considerado patrimônio cultural desde 2002. A relação com o animal é uma tradição que faz parte do DNA do povo gaúcho.
Um ano após a catástrofe, a RBS TV apresentou o RBS.Doc. A equipe conversou com pessoas afetadas, voluntários, moradores que perderam tudo e familiares de vítimas. Nos locais atingidos, encontrou exemplos de solidariedade e união.
Como está o cavalo Caramelo, símbolo da enchente histórica no RS
Reprodução TV Globo / Bruna Linck/Ascom Ulbra
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