Rio faz primeiro transplante de intestino; paciente recebe órgãos de doadora de 5 anos pelo SUS
Rio faz primeiro transplante de intestino; paciente recebe órgãos de doadora de 5 anos pelo SUS O Rio de Janeiro realizou, no sábado (5), o primeiro transplante...
Rio faz primeiro transplante de intestino; paciente recebe órgãos de doadora de 5 anos pelo SUS
O Rio de Janeiro realizou, no sábado (5), o primeiro transplante de intestino do estado. Viviane de Freitas Vale, de 40 anos, recebeu pelo Sistema Único de Saúde (SUS) um novo intestino delgado e um novo intestino grosso.
Os órgãos foram doados por uma criança de 5 anos que teve morte cerebral. A cirurgia durou cerca de seis horas e foi realizada no Hospital Adventista Silvestre, no Cosme Velho, na Zona Sul da capital.
Viviane convive com a doença de Crohn e passou os últimos 10 anos entre a própria casa e diferentes hospitais. Ao longo do tratamento, precisou ser submetida a oito cirurgias para retirar partes do intestino.
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Viviane de Freitas Vale, primeira paciente a receber um transplante de intestino no estado do Rio
Reprodução / TV Globo
Com a progressão da doença, o órgão deixou de conseguir absorver os nutrientes necessários para manter o organismo funcionando.
A paciente passou a depender de alimentação pela veia. O tratamento, no entanto, precisou ser interrompido depois que uma trombose provocou a perda dos acessos utilizados para a nutrição, inclusive no pescoço e nas pernas.
“Eu estava muito cansada. Essa espera é muito longa, vai para um lado, vai para outro. Eu acordei para uma nova vida, para a Viviane desse tempo”, contou.
O transplante intestinal é considerado um dos procedimentos mais complexos da medicina e exige uma estrutura especializada, além de uma logística rápida para a captação e o transporte dos órgãos.
Doadora tinha 5 anos
A doadora estava internada no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A criança teve morte cerebral, e a família autorizou a doação dos órgãos.
No caso de Viviane, foi realizado um transplante isolado, com a substituição do intestino delgado e do intestino grosso.
A paciente destacou a importância da decisão da família da doadora para que ela pudesse receber os órgãos.
“Meu muito obrigado, porque eles transformaram a dor em amor. O sim da família me deu esse poder de continuar”, disse Viviane.
A filha de Viviane, Thayla Vale, acompanhou de perto a espera pelo procedimento. Para ela, a cirurgia representa a possibilidade de voltar a ter a mãe presente em momentos importantes da família.
“É uma alegria, uma emoção que não cabe dentro da gente. Ela pode voltar a ser minha mãe. Isso me deixa feliz: ver minha filha crescer, meu sobrinho, me ver formar”, disse Thayla.
Procedimento passou a ser oferecido pelo SUS
O transplante de intestino foi incorporado ao SUS em fevereiro do ano passado. Antes disso, pacientes brasileiros que precisavam do procedimento tinham que aguardar encaminhamento para tratamento no exterior.
Segundo Eduardo Fernandes, chefe da equipe de transplantes do Hospital Adventista Silvestre, o caso de Viviane envolveu dois órgãos que apresentam características diferentes.
“Apesar de serem intestinos, eles se comportam de maneiras diferentes. O Rio de Janeiro é referência nacional, e a gente fica muito feliz por trazer essa inovação para o país”, afirmou.
Eduardo Fernandes, chefe da equipe responsável pelo primeiro transplante de intestino realizado no RJ
Reprodução / TV Globo
A escolha do doador também é um dos desafios do transplante intestinal. Como o órgão precisa permanecer pouco tempo fora do corpo, a chamada isquemia deve ser curta. Além disso, as características físicas do doador precisam ser compatíveis com as do receptor.
“No caso da paciente, nós fizemos dois transplantes: do intestino delgado e do grosso. São doadores restritos. Ela é pequena, então tinha que ser um doador pequeno, pediátrico, que é raro, e com uma isquemia curta. O órgão fica no gelo, e o ideal é que esse tempo seja o mais curto possível”, explicou Fernandes.
Recuperação
Thayla Vale, filha de Viviane, acompanhou a recuperação da mãe após o transplante
Reprodução / TV Globo
Após a cirurgia, Viviane entrou em uma nova etapa do tratamento. A equipe médica acompanha de perto o funcionamento dos órgãos transplantados e possíveis sinais de rejeição.
A taxa de rejeição do intestino costuma ser mais alta do que a observada em outros tipos de transplante, o que exige acompanhamento constante e uso de medicamentos para evitar que o organismo ataque os novos órgãos.
Até o momento, a avaliação é positiva: segundo a equipe médica, o novo intestino está funcionando bem.
A cirurgia aconteceu poucos dias antes de um momento especial para Viviane. Ela completa 41 anos nesta quinta-feira (10).
Para a paciente e a família, o transplante chega como a possibilidade de retomar uma rotina que parecia distante: voltar a se alimentar normalmente e acompanhar de perto o crescimento da filha e de outros familiares.
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