Dias quentes podem ter 4 horas a mais de calor extremo até o fim do século, diz estudo
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O nascer do sol na costa de Sydney, em 30 de novembro de 2004. REUTERS/Will Burgess/File Photo O calor extremo pode ocupar uma parcela cada vez maior do dia até o fim deste século. Em um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, dias considerados quentes poderão ter mais de quatro horas adicionais de temperaturas muito elevadas entre 2070 e 2099, na comparação com o período de 2001 a 2023. É isso o que aponta um estudo publicado nesta segunda-feira (10) na revista "Nature Climate Change". A pesquisa analisou temperaturas registradas hora a hora em diferentes partes do planeta entre 1981 e 2023 e combinou esses dados com projeções climáticas até o fim do século. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A divulgação ocorre em meio a mais um episódio de forte calor na Europa. No Reino Unido, o Met Office, o serviço nacional de meteorologia e clima, prevê uma nova onda nesta semana, com temperaturas que podem chegar a 36°C na quinta-feira (13) em partes da Inglaterra. LEIA TAMBÉM: Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um 'olho' visto do espaço; veja IMAGEM 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' Cientistas descobrem microplásticos no corpo de girinos da Amazônia Agora no g1 O cenário ajuda a ilustrar justamente o ponto central do estudo: além de saber até onde os termômetros chegam, os pesquisadores quiseram entender por quanto tempo essas temperaturas muito altas permanecem ao longo do dia. Grande parte dos estudos sobre calor usa indicadores diários, como temperatura média, máxima ou mínima. Neste trabalho, os cientistas analisaram como a temperatura varia ao longo das 24 horas. Com isso, encontraram períodos de calor intenso que podem passar despercebidos quando todo o dia é resumido em poucos números. Entre 1981 e 2023, cerca de 80% das áreas terrestres analisadas apresentaram aumento significativo dessas horas extremamente quentes. O avanço foi observado ao longo de todo o dia, mas foi mais rápido durante a noite. ➡️ Hoje, segundo o estudo, um dia classificado como quente tem em média 16,4 horas de temperaturas extremas. No cenário de emissões mais altas, esse período pode chegar a cerca de 21 horas no fim do século. Já em dias que nem sequer seriam classificados como extremamente quentes pelas medições tradicionais, o número médio pode passar de pouco mais de uma hora atualmente para aproximadamente cinco horas. LEIA TAMBÉM: Por que Amsterdã proibiu qualquer propaganda de carne nas ruas ANTES e DEPOIS: imagem da Nasa mostra geleira na Antártida que recuou 25 km em tempo recorde A erupção vulcânica que produziu o som mais alto registrado na história Para José Miguel Viñas, meteorologista da Meteored e consultor da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ouvido pelo Science Media Centre España, olhar para essas variações ao longo do dia é um dos pontos mais importantes do trabalho. “A presente pesquisa se concentrou em um aspecto novo, que é a avaliação em escala horária da distribuição das temperaturas durante as ondas de calor extremo.” Segundo Viñas, esse tipo de análise também pode ajudar a entender melhor os efeitos das temperaturas persistentes sobre a saúde. “Isso permitirá caracterizar melhor o impacto na saúde humana das altas temperaturas persistentes, tanto nos picos alcançados durante as horas diurnas como nas noturnas.” A preocupação com as noites aparece com destaque no estudo. Os pesquisadores projetam que, no futuro, cerca de 70% das horas de calor extremo que aparecem em dias não classificados como quentes ocorrerão no período noturno. Noites anormalmente quentes reduzem justamente o intervalo em que o organismo normalmente teria algum alívio depois das temperaturas elevadas do dia. Uma pessoa segura um guarda-chuva enquanto outras caminham perto do Coliseu durante uma onda de calor que atinge toda a Itália 3 de agosto de 2026 REUTERS/Remo Casilli Ernesto Rodríguez Camino, presidente da Associação Meteorológica Espanhola, também ouvido pelo Science Media Centre España, afirma que os registros hora a hora revelam situações que podem desaparecer nas estatísticas diárias. “Essa maior resolução temporal revela novos ‘picos’ de calor extremo em escala horária que, até agora, haviam passado despercebidos pelo uso de dados diários.” O trabalho também encontrou forte desigualdade na exposição ao calor. Países de baixa e média renda concentram mais de três quartos da exposição atual e projetada a essas temperaturas extremas. As diferenças aparecem também entre gerações: pessoas nascidas em 2023 devem acumular, ao longo da vida, uma exposição muito maior do que aquelas nascidas em 1981, principalmente nos países mais pobres. Os pesquisadores ressaltam que isso não significa abandonar indicadores diários. A proposta é acrescentar informações mais detalhadas sobre em quais horários o calor aparece e por quanto tempo persiste. Segundo os autores, esse tipo de acompanhamento pode ajudar a aprimorar avisos à população e medidas de adaptação, especialmente diante do aumento das temperaturas noturnas e de episódios intensos que duram apenas algumas horas. Nova espécie de "fungo zumbi" é descoberta no Brasil