Alzheimer: exames de sangue poderão ser usados por clínicos gerais
Alzheimer em mulheres: danos cerebrais podem começar bem antes da velhice Na coluna de terça, sobre a Conferência da Associação Internacional de Alzheimer,...
Alzheimer em mulheres: danos cerebrais podem começar bem antes da velhice Na coluna de terça, sobre a Conferência da Associação Internacional de Alzheimer, escrevi a respeito da pesquisa que mostrou como derivados da maconha reduziram a agitação em pessoas em estágios avançados de demência. Hoje, trato de um assunto que mobiliza o noticiário há algum tempo: os exames de sangue que preveem o risco de doença. Esse é o tema do momento para cientistas e profissionais de saúde, mas o evento trouxe uma notícia das mais auspiciosas: os testes também poderão transformar o diagnóstico no atendimento clínico diário. Alzheimer: exames de sangue que preveem o risco de demência poderão ser utilizados no atendimento primário de saúde Pasja1000 para Pixabay Um estudo com mais de 1.300 pacientes e 165 médicos descobriu que clínicos gerais que receberam os resultados de um exame de sangue que mede biomarcadores relacionados ao Alzheimer foram capazes de diagnosticar a doença com quase a mesma precisão que especialistas. O teste mede a beta-amiloide e a tau fosforilada, proteínas cerebrais anormais associadas à enfermidade, e a precisão foi de cerca de 90%. Hoje, o padrão-ouro de atendimento para confirmar o Alzheimer envolve testes especializados, como exames de PET (imagem cerebral) e análise do líquido cefalorraquidiano, ferramentas que são caras e não estão amplamente disponíveis. “Esta é uma notícia esperançosa para os pacientes, que muitas vezes enfrentam atrasos e longos tempos de espera antes de receber um diagnóstico claro e tratamento”, afirmou Sheena Aurora, vice-presidente de assuntos médicos da Associação do Alzheimer. “Os resultados sugerem que todo o ecossistema de cuidados poderá ser beneficiado.” Na semana passada, eu havia participado de um seminário on-line com o médico Bryan Woodruff, neurologista cognitivo da Mayo Clinic e especialista nas condições que afetam as habilidades cognitivas. Na ocasião, perguntei a ele que medidas os gestores de políticas públicas deveriam tomar, já que o crescimento no número de casos de demência em países de baixa e média renda está se tornando uma das maiores preocupações de saúde pública do século XXI – atualmente, são mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que 60% vivem nesses países. Sua resposta foi exatamente sobre a necessidade de expandir o contingente de profissionais capazes de diagnosticar a doença: “A população do planeta está envelhecendo e os casos de demência, aumentando. Todos os médicos vão acabar se deparando com pacientes com esse quadro. Como não há especialistas em número suficiente, temos que ampliar o acesso ao tratamento: o diagnóstico tem que entrar no radar da atenção primária de saúde, no atendimento feito pelos médicos de família, num esforço global de enfrentamento”.