Clamor por Impeachment: Protestos pelo colapso do Ueno Bank miram o presidente Santiago Peña
REDE NEWS
ASSUNÇÃO – A crise financeira provocada pela quebra do Ueno Bank, o maior banco digital do Paraguai, escalou para uma grave crise política. Manifestantes tomaram as ruas da capital, Assunção, e de grandes centros comerciais como Ciudad del Este para exigir o juízo político (impeachment) do presidente da República, Santiago Peña. O clamor popular ganhou força após a revelação de conexões diretas entre a alta cúpula do governo e a instituição financeira que faliu.
Os protestos, que inicialmente cobravam a devolução de economias bloqueadas, agora miram o Palácio de López. Entenda os principais pontos que alimentam a pressão pela queda do presidente:
O Elo entre Santiago Peña e o Banco
A indignação pública se intensificou após vir a público que o presidente Santiago Peña foi acionista da holding controladora do Ueno Bank até março de 2025. Partidos de oposição e movimentos sociais acusam o mandatário de conflito de interesses e de ter articulado a flexibilização de leis anticorrupção para favorecer o direcionamento de verbas públicas para o banco digital. Durante o mandato de Peña, os depósitos do governo na instituição dispararam, alcançando a marca de US$ 850 milhões em fundos estatais retidos com a quebra.
Queda no Banco Central e Articulação no Congresso
A crise já derrubou o chefe do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, que renunciou em meio a denúncias de omissão na fiscalização. Carvallo havia presidido a financeira que deu origem ao Ueno Bank antes de assumir o órgão regulador, o que aumentou as suspeitas de favorecimento.
No Congresso Nacional, parlamentares da oposição iniciaram formalmente a coleta de assinaturas para o pedido de juízo político. Eles alegam "mau desempenho de funções" e cumplicidade com o desvio de recursos públicos e de fundos de aposentadorias que estavam aplicados no banco.
Ruas Inflamadas e Repulsa Popular
Com faixas estampando frases como "Estado Cúmplice" e "Fora Peña", os manifestantes cercaram prédios governamentais e a residência oficial de Mburuvicha Róga. A população contesta a solidez do sistema financeiro e exige que o governo garanta 100% dos recursos confiscados pelo fechamento das contas. A forte repressão policial em alguns pontos da capital acabou inflamando ainda mais os protestos, unindo correntistas lesados, sindicatos e estudantes em uma única marcha pelo impeachment.
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