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Um ano após inauguração de fábrica na Bahia, BYD prevê carro 100% brasileiro até dezembro e mira aquisição de porto

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Um ano após inauguração de fábrica na Bahia, BYD prevê carro 100% brasileiro até dezembro e mira aquisição de porto
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Em outubro de 2025, a montadora chinesa BYD inaugurou a estrutura completa de sua primeira fábrica no Brasil, localizada na cidade de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Um ano após a inauguração, a empresa prevê a primeira montagem feita integralmente no Brasil até dezembro e mira a aquisição do antigo porto da Ford para alavancar as exportações.

As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (29), em uma coletiva de imprensa na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em Salvador. A BYD tem parceria com o Observatório da Indústria da Fieb, responsável por mensurar e divulgar os resultados econômicos da empresa no estado. (Saiba mais sobre os dados ao fim da reportagem)

Por dentro da fábrica da BYD: veja como é feita a montagem dos carros na Bahia

Segundo o vice-presidente da fábrica, Alexandre Baldy, o início da montagem 100% brasileira será em dezembro deste ano. Isso porque os complexos de soldagem, pintura e estamparia já estão em fase de testes neste mês de outubro.

"Nós já temos um regime de teste, a estampa, solda e pintura sendo implementadas. Portanto, creio que em meados de novembro nós estaremos com esses testes para que a gente possa, de fato, começar a produção local entre novembro e dezembro", afirmou.

Segundo Baldy, o primeiro modelo 100% brasileiro será o Atto 2, um modelo híbrido plug-in, ou seja, combina um motor elétrico com um motor a combustão que funciona tanto com gasolina quanto com etanol. O carro custa entre R$ 149.990 e R$ 166.660.

Produzir no Brasil e implementar conteúdos locais implica em uma maior competitividade econômica no mercado. Isso porque acordos comerciais como o Mercosul exigem que pelo menos 35% do produto tenha componentes locais.

Antigo porto da Ford

Baldy revelou que há um grande interesse da empresa no Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira, conhecido como "Porto da Ford". O espaço fica em Candeias, cidade que também integra a Região Metropolitana de Salvador (RMS) e fica a 35 km de Camaçari.

O local foi construído no Canal de Cotegipe, que faz parte da Baía de Aratu, para facilitar o escoamento dos carros fabricados pela Ford em Camaçari. Com a saída da empresa da Bahia em 2021, o porto foi desativado. Atualmente, o espaço pertence ao Estado da Bahia.

"Nossa estratégia é, de fato, sermos uma empresa regional contígua entre América do Sul, Central e Norte, onde nós aproveitaríamos essa estratégia para exportar a partir da Bahia".

Novos espaços da fábrica

Os veículos montados pela BYD na Bahia chegavam pré-montados da China: em Camaçari, eram colocadas partes essenciais como motor e pneus. Com a inauguração dos novos complexos de estamparia, soldagem e pintura, a maior parte da montagem será feita em solo brasileiro. Entenda as novas áreas:

➡️ estamparia: a chapa de aço é colocado no molde do carro; ➡️ soldagem: onde as partes do veículo são juntadas; ➡️ pintura: onde é feita a camada de proteção do carro, como a anti corrosão e também a pintura; ➡️montagem final: onde o carro é finalizado com portas, vidros, pneus, motor e tanque. Nessa etapa também são feitas todas as verificações e testes.

Atualmente, são produzidos cerca de 700 carros por dia na fábrica. Os seguintes modelos são produzidos em Salvador:

Doplhin mini

Song pro

Atto 2

King

Investimentos bilionários e geração de renda

A fábrica da BYD na Bahia é o maior polo da empresa fora da China. São R$ 11 bilhões investidos em cerca de um milhão de metros quadrados de construção e a expectativa é dobrar o tamanho nos próximos anos.

Segundo dados apresentados na coletiva de imprensa, a fábrica gera 9 mil empregos diretos, com a expectativa de chegar a 10 mil ainda neste ano. Quando todo o investimento estiver completo, serão 20 mil funcionários.

Conforme dados apresentados pelo Observatório da Fieb, a média salarial dos funcionários é de R$ 3,9 mil — 24% superior à média da indústria no estado.

A parceria da Fieb com a BYD tem como objetivo mensurar os impactos econômicos da empresa na cidade. Segundo o economista da Fieb, Thobias Silva, para isso, são analisados os dados de Relação Anual de Informações Sociais (Rais), Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), bases de dados governamentais e sistemas oficiais utilizados para monitorar o mercado de trabalho formal, os vínculos empregatícios e o cadastro empresarial.

"A gente vai pegar todo o histórico do que era Camaçari antes e depois da BYD, e vamos projetar isso. A Fieb tem, inclusive, condição de saber como era Camaçari quando outra empresa ocupava esse terreno", explicou.

Concorrência no mercado nacional

O avanço das montadoras chinesas chama atenção de outras empresas com operação no país. No início do mês, o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, afirmou que a indústria automotiva ocidental "errou" ao avaliar a velocidade com que a eletrificação ganharia relevância no mercado global.

"A palavra correta é erro. A indústria ocidental errou na leitura de mercado daquilo que poderia se estabelecer em termos de velocidade de avanço de algumas tecnologias. Que o caminho seria eletrificado, todo mundo sabia", disse o executivo.

Mas Zola também lamentou as condições de competitividade e a falta de previsibilidade no mercado brasileiro. Segundo ele, não há regras que incentivem as montadoras instaladas no país a fomentar a cadeia de produção nacional, comprando componentes de fornecedores brasileiros, como pneus, amortecedores, molas, plásticos e aço, por exemplo. Isso geraria custos maiores que concorrentes estrangeiros.

"O aço chinês é muito mais barato do que o aço brasileiro. Qual marca chinesa compra aço no Brasil hoje? Qual marca chinesa compra plástico no Brasil hoje? Qual marca chinesa usa a cadeia automotiva no Brasil hoje? Nenhuma", criticou.

Como noticiado pelo g1 anteriormente, nos oito primeiros meses do ano, o Brasil importou 406,7 mil veículos — volume 29,8% maior que no mesmo período de 2025, segundo dados da Anfavea. Mais da metade veio da China: foram 221 mil veículos, alta de 109,9% em relação ao ano anterior.

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