Minha despedida a Netinho, um gigante da música e um irmão de grandes Carnavais
REDE NEWS - Jornalista Gilvandro Oliveira Filho
O jornalista Gilvandro Oliveira Filho abre o coração sobre as décadas de amizade com o ícone do axé, os bastidores das micaretas em Natal (RN) e o legado de quem lutou até o fim.
A manhã desta terça-feira, 13 de outubro de 2026, trouxe uma daquelas notícias que a gente nunca está preparado para dar. O Brasil perdeu o cantor Netinho, aos 60 anos, vítima de um linfoma. Mas para mim, a dor vai muito além da perda do artista que o país inteiro aplaudia. Eu o conhecia, e muito. Perdi um amigo de verdade, um companheiro de estrada, e hoje sinto uma pena profunda que aperta o peito.
Olhar para a história de Netinho é voltar no tempo e lembrar de uma das épocas mais felizes da nossa música. Eu convivi com Netinho por muitos anos, dividindo bastidores, sorrisos e a energia contagiante de vários eventos de Carnaval fora de época em Natal, no Rio Grande do Norte.
Nas micaretas potiguares, presenciei de perto o que aquele homem era capaz de fazer. Quando ele subia no trio elétrico, a avenida inteira se transformava. Ele não apenas cantava; ele comandava uma massa de milhares de pessoas com uma alegria que parecia não ter fim. Tivemos vários encontros marcantes ao longo da vida. Conversas longas, abraços apertados antes e depois dos shows, e uma cumplicidade de quem realmente amava a folia e o povo.

Um legado de música e uma lição de coragem
Netinho parte deixando uma saudade imensa, um legado musical incontestável e, acima de tudo, um exemplo de honestidade. Ele foi gigante na arte, mas foi ainda maior quando decidiu usar a sua própria dor para proteger os outros.
Todos nós sabemos que a vida dele mudou drasticamente após as complicações de saúde que enfrentou. E ele nunca se escondeu. Netinho foi a público para dizer, com todas as letras, que usar anabolizante não é certo, que é uma ilusão perigosa e algo muito ruim. Ele transformou o seu próprio sofrimento em um alerta para a juventude, mostrando que nenhuma estética vale o preço da nossa saúde. Isso não é apenas um desabafo; é uma lição de vida que fica para sempre.
Nos últimos anos, a batalha foi outra, contra o câncer. E o meu amigo lutou. Netinho lutou até quando pôde, com a mesma garra com que puxava os blocos na avenida, sem perder a fé e a dignidade.

O adeus a uma lenda baiana
Hoje, a terra chora a perda de um dos grandes cantores e de uma verdadeira lenda da música baiana. Que perda irreparável para a nossa cultura e para todos nós que tivemos o privilégio de caminhar ao seu lado.
Mas o meu coração encontra conforto em saber que o sofrimento acabou. Hoje o céu ganhou uma pessoa genial, um ser humano de luz que agora vai descansar.
Vai em paz, meu amigo. Você deixa uma saudade que o tempo não vai apagar, mas a sua voz e a sua alegria continuam eternas em cada um de nós. Obrigado por tudo, Netinho.

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