Tríplice Fronteira sedia encontro para orientar e fortalecer a juventude indígena
Rede Guarani
Foz do Iguaçu (PR) – Lideranças indígenas da Tríplice Fronteira reuniram-se na comunidade Tekoá Arapy, em Foz do Iguaçu, para debater com as novas gerações a valorização da cultura indígena e a troca de informações para auxiliar os jovens na construção de perspectivas para o futuro.
O encontro “Teko Porã Rã” começou na sexta-feira (25), com a chegada dos participantes, e teve debates nos dias 26 e 27 de setembro. Participaram caciques e outras lideranças indígenas de Foz do Iguaçu, Santa Helena, Paraguai e Argentina, que juntos somaram cerca de 150 pessoas. Durante os dois dias de debates, foram abordados temas essenciais, como saúde mental, o bem viver e a valorização da cultura ancestral.

Anfitrião do encontro, o cacique Gilberto Martinez, líder da Aldeia Tekoha Arapy, localizada na região do Arroio Dourado, agradeceu a presença das lideranças, rezadores e jovens que participaram da programação. Ele destacou a importância de promover novos encontros na comunidade como forma de orientar a juventude e, ao mesmo tempo, preservar a tradição, a história e a luta do povo Guarani. Para o cacique, receber representantes de diferentes comunidades na aldeia também contribui para fortalecer os vínculos entre as gerações e manter vivos os conhecimentos e valores transmitidos pelos mais velhos.

O integrante do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu, Hamilton Serighelli, agradeceu a acolhida do cacique e de toda a aldeia e parabenizou a comunidade Arapy pela realização do encontro. “Os povos indígenas precisam ser respeitados sempre. É obrigação de todos nós, da sociedade, dos governos e, especialmente, das autoridades da região das Três Fronteiras, respeitar seus direitos, sua cultura, sua história e sua dignidade. Respeitar os povos indígenas é respeitar a nossa própria história e a diversidade do Brasil”, afirmou Serighelli.
Serighelli também ressaltou a necessidade de garantir infraestrutura adequada às comunidades Avá-Guarani beneficiadas pelo acordo de reparação, que prevê a destinação de até R$ 240 milhões da Itaipu Binacional para a aquisição de 3 mil hectares no Oeste do Paraná. As áreas serão destinadas às Terras Indígenas Guasu Guavirá e Tekoha Guasu Okoy Jakutinga, com previsão de divisão equivalente entre os dois territórios.

A primeira aquisição já foi efetivada em Terra Roxa, com a compra de 220 hectares da Fazenda Brilhante. A área foi adquirida com recursos da Itaipu e registrada em nome da União, com usufruto exclusivo das comunidades indígenas. Em agosto de 2025, cerca de 60 famílias Avá-Guarani, de três comunidades, começaram a ocupar o local. Além dessa área, diversas outras já foram compradas pela binacional.

A professora do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Cultura e Fronteiras da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Tamara Cardoso André, também participou do evento e conversou com o público sobre direitos humanos e a importância de projetos voltados ao desenvolvimento regional, às comunidades indígenas e à educação intercultural.
O encontro reforçou a importância da união comunitária e institucional na construção de políticas públicas e oportunidades para a juventude indígena na região fronteiriça.
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