Secretário que era o escolhido de Ratinho Jr para disputar o governo é citado em áudios de investigação sobre fraude em licitação
RedeSat
Aos poucos a “cortina de fumaça” adotada pelo governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD), para tentar esconder os escândalos de seu governo, vai se desmanchando. Sem falar na desistência do governador em disputar a Presidência da República por conta dos milhões que o Grupo Massa recebeu do Banco Master. E as bombas não param, logo vem mais!
Da mesma forma que se torna pública a razão da desesperada estratégia do governador em lançar como pré-candidato quem nem era cotado, o ex-secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, responsável pelo atual modelo de pedágio do estado e pela situação das rodovias do Paraná. Sandro voltou recentemente ao cargo de deputado federal depois de não cumprir o mandato pela segunda eleição seguida.
“De repente, não mais que de repente”, o governador descartou o nome do seu braço direito e preferido para a disputa, Guto Silva (PSD), ex-secretário das Cidades e agora deputado estadual (outro que não cumpriu o mandato)
A Justiça do Paraná determinou a quebra do sigilo bancário do empresário Adolfo Jachinski Neto e da EBTS Empresa Brasileira de Tecnologias e Sistemas, no âmbito de um inquérito policial que apura supostos crimes de peculato, corrupção passiva e fraude em licitações.
Adolfo Jachinski Neto, suspeito de participar de um esquema para fraudar uma licitação milionária da Secretaria de Segurança Pública do Estado.
Um dos nomes citados nos áudios que constam na investigação é o de Guto Silva, que é chamado de “braço direito de Ratinho Jr” e o “homem que comanda a agenda do governador”.
O empresário afirma que Guto Silva controla a agenda do governador e três órgãos do estado: “Ele tem a Segurança debaixo dele, o Detran debaixo dele e a Celepar [Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná]. As três secretarias são do Guto”, disse Jachinski Neto.
O empresário investigado também menciona uma conversa com um assessor de Guto Silva. “Então, assim, o cara lá dele falou pra mim ‘olha, o negócio é o seguinte: vamos fazer o acerto aí, tal e coisa, vamos fazer o projeto, tal e coisa, daí nós temos que puxar dinheiro pra campanha’. Falei: ‘bom, não tem problema, não tem problema’. Não saindo do meu bolso, o que eu vou fazer? É assim ou nada né, cara?”
Em outras gravações reveladas pela coluna Lauro Jardim, do Globo, Adolfo se refere a Guto Silva como “a mão direita do cara”, em referência ao governador Ratinho Jr.
O ex-secretário de Segurança, Romulo Marinho, também foi citado.
“O Paraná é seu”
Nas gravações, há ainda falas de Adolfo que sugerem favorecimento dentro da comissão de licitação, grupo de servidores públicos responsável por examinar e julgar os documentos e propostas do processo licitatório. “Todo mundo no esquema, principalmente a comissão”, diz Adolfo.
Diante das afirmações, Jonny Rocha Braga, que gravou a conversa, pergunta: “Então, se o Paraná é seu, vamos dizer assim, praticamente, pelo que você tá me falando, o cenário é esse: o Paraná é seu. Eles não me querem aqui nem pintado de ouro.
Adolfo responde: “Não. Isso é verdade.”
Na decisão que autorizou a quebra do sigilo bancário, o juiz destaca que os áudios apontam para o direcionamento da licitação e indicam a simulação da competitividade.
A justificativa para quebra do sigilo bancário
“Os elementos informativos coligidos até o momento — notadamente os diálogos gravados e suas respectivas transcrições, registro audiovisual, depoimento de testemunha, relatórios de investigação e demais documentos acostados aos autos — apontam, em tese, para a existência de tratativas prévias voltadas ao direcionamento do certame. Tais elementos indicam, ainda, a possível simulação de competitividade entre empresas, ajuste antecipado de lances, elevação artificial dos valores contratados e referências ao repasse de percentuais do contrato a terceiros, inclusive com menções à suposta influência de agentes públicos e de integrantes da comissão de licitação.”
O juiz ressalta que, apesar do indícios apontados na investigação, as autoridades policiais ainda não comprovaram que os pagamentos indevidos foram, de fato, realizados e quem foram os destinatários. Por isso, determinou a quebra do sigilo bancário do empresário investigado e da empresa dele, que venceu a licitação.
Palavra dos citados
O Governo do Paraná disse, por meio de nota, que: “tem regras rígidas de controle, compliance e transparência e não responde por supostos áudios atribuídos a uma desavença societária de empresários sem vínculos com o Estado.
A licitação, realizada há sete anos, foi feita por meio de pregão eletrônico, de forma transparente e os objetos propostos foram entregues. Eles estão em uso pela Polícia Civil desde então. O Tribunal de Contas do Estado inclusive atestou a regularidade da contratação em um acórdão publicado em julho de 2024.
A investigação sobre a desavença societária é tocada pela Polícia Civil do Paraná e está direcionada para a desavença societária. O pedido de quebra de sigilo feito pela própria Policia Civil ajudará a esclarecer as versões apresentadas pelos empresários. Os ex-secretários não são investigados.”
O ex-secretário Guto Silva afirmou, também em nota, que “não conhece o empresário citado, jamais foi sócio ou manteve qualquer relação com ele ou com a empresa mencionada. O pregão 1133/2019 foi conduzido pela Secretaria de Segurança Pública, sem qualquer participação da Casa Civil ou do então secretário. Trata-se de acusação antiga, já esclarecida em 2022 e sem qualquer respaldo nos fatos ou nos órgãos de controle.”
O empresário Jonny Rocha Braga disse que apenas apresentou os áudios às autoridades: “Quero informar que as gravações foram feitas com intenção de comprovar uma dívida da EBTS para comigo. Desde 2014 o Adolfo vinha prometendo pagar a minha parte como fundador da empresa em 2008, com procedentes de licitações (tenho o acordo em mãos e o processo cível corre na Justiça). Promessa esta que passava de ano para ano sem ser cumprida. Reitero que eu nunca acusei nenhuma autoridade. Todas as tratativas, esquemas e nomes mencionados, foram feitas pelo próprio Adolfo, como mostram as gravações.”
O ex-secretário de Segurança Pública Rômulo Marinho e as defesas do empresário Adolfo Jachinski Neto e da empresa EBTS não responderam..
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