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Para que nenhum Gurgel morra de novo: o Brasil precisa acreditar nos seus gênios vivos

Rede News - Jornalista Gilvandro Oliveira Filho

Para que nenhum Gurgel morra de novo: o Brasil precisa acreditar nos seus gênios vivos
Para que nenhum Gurgel morra de novo: o Brasil precisa acreditar nos seus gênios vivos (Foto: Reprodução)

O Brasil já cometeu um erro histórico que ainda cobra um preço alto: não acreditar na própria inteligência. Poucos casos simbolizam isso de forma tão dura quanto o de João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, engenheiro, inventor e pioneiro do carro elétrico no país, abandonado pelo sistema, desacreditado pelo mercado e ignorado pelo Estado.

Décadas depois, enquanto o mundo inteiro lucra com a tecnologia que ele ajudou a antecipar, o Brasil paga caro para importar aquilo que poderia ter liderado. Essa não é apenas uma história do passado. É um alerta urgente para o presente.

Gurgel não fracassou. O Brasil falhou com ele

João Gurgel criou soluções simples, robustas e adaptadas à realidade brasileira. Desenvolveu um dos primeiros carros elétricos do mundo quando o tema ainda era tratado como curiosidade. Não lhe faltou visão, conhecimento ou coragem. Faltou apoio, crédito, política industrial e, sobretudo, confiança no que era nacional.

A soma do abandono institucional, da pressão financeira e do descrédito levou Gurgel à depressão profunda. Em 1995, ele tirou a própria vida. É duro afirmar, mas necessário: não foi apenas uma tragédia pessoal, foi uma derrota coletiva do país.

A fala de Lula e a lição que o Brasil insiste em ignorar

Ao afirmar que o Brasil precisa acreditar no seu povo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva toca no ponto central da nossa história de dependência tecnológica. Não se trata de discurso político, mas de constatação prática: países que não confiam na própria inteligência permanecem subordinados.

Sempre que o Brasil escolheu duvidar dos seus inventores e cientistas, perdeu tempo, dinheiro e soberania. Gurgel foi um símbolo disso. E o país não pode repetir esse erro.

Itaipu Binacional e o Parquetec: quando o Brasil escolhe outro caminho

Hoje, existe um exemplo concreto de que é possível fazer diferente. A Itaipu Binacional, ao lado do Itaipu Parquetec, representa uma virada de mentalidade. Mais do que geração de energia, o complexo se tornou um polo estratégico de ciência, tecnologia e inovação, onde ideias nacionais são tratadas como patrimônio, não como aposta de risco.

Ali se desenvolvem pesquisas, soluções tecnológicas, projetos de inovação e alternativas para o futuro energético e industrial do Brasil. É exatamente o ambiente que Gurgel nunca teve em seu tempo.


Irineu Mário Colombo e a responsabilidade institucional

À frente desse ecossistema está o professor Irineu Mário Colombo, gestor público e educador, com a responsabilidade de coordenar e fortalecer projetos estratégicos ligados à inovação, ciência e desenvolvimento tecnológico.

Não se trata de exaltar nomes, mas de reconhecer funções. Sua missão institucional é clara: criar condições para que a inteligência brasileira não seja desperdiçada, integrar universidades, pesquisadores e centros de desenvolvimento, e garantir que ideias nacionais encontrem apoio antes de serem sufocadas.

O Brasil precisa conhecer os gênios que estão vivos

O maior erro histórico do país foi reconhecer seus gênios apenas depois da tragédia. O Brasil precisa, urgentemente, conhecer, valorizar e dar visibilidade aos gênios que hoje trabalham ao lado do professor Irineu Mário Colombo, dentro do Parquetec e nos projetos ligados à Itaipu.

Eles existem.

Eles estão produzindo.

Eles estão construindo soluções agora.

Gênios vivos não podem ser invisíveis.

Pragmatismo puro: acreditar custa menos do que importar

Este editorial não é ideológico. É pragmático. A conta é simples:

Acreditar na inteligência nacional:

gera empregos

reduz dependência externa

fortalece a soberania

barateia tecnologia

constrói futuro

Desacreditar:

custa caro

atrasa o país

mata projetos

adoece pessoas

Um aviso ao Brasil


Este texto é um alerta direto ao povo, às instituições e ao Estado brasileiro. Um Gurgel já morreu, e o Brasil paga até hoje por essa perda. Não é aceitável que outros talentos sigam o mesmo caminho — no silêncio, no abandono ou na desistência.

O Brasil é rico em inteligência.

O que sempre faltou foi coragem para acreditar nela.

Que a história de João Gurgel não seja apenas lembrada, mas assumida como responsabilidade. Para que nenhum outro Gurgel morra novamente. Porque quando um gênio é abandonado, o prejuízo é de toda a nação.

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